Poesias, contos crônicas... Divagações de uma borboleta que têm asas feitas de grafite numa folha de papel...

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Estréia em grande estilo

Eles estavam nervosos, e não era sem motivo. Quando as portas do teatro se abrissem não teria mais volta. Estariam expondo seus rostos e seus corpos a mais de noventa pessoas, a maioria deles pela primeira vez.


Faltava pouco, a tensão cada vez mais visível, cada qual a seu modo procuravam concentrar-se, buscar o personagem, encobrir o medo que a quarta parede, inexistente mas assustadora, lhes impunha a cada minuto. 

Abriu-se a porta, apagaram-se as luzes, apenas o palco se ilumina. Não havia mais como dizer não, cada um aguardava o seu momento de pisar aquele chão, um chão tão instável quanto sublime, tão almejado quanto assolador. E passaram, um a um, dando vida aos seus enredos, seus personagens. era lindo vê-los ali, aos poucos tomando consciência de que todo o trabalho chegava enfim a seu ápice, e com o resultado mais belo que se poderia esperar. 

O público respondia, divertia-se com o desempenho daqueles que, meia hora antes, pareciam duvidar de si mesmos. O espetáculo mostrou-se digno de ser chamado como tal, encantando e entretendo os que ali estavam. 

Se houveram erros? É claro que sim, mas nossa arte permite este tipo de licença. Por certo que o nervosismo de cada um dos estreantes era visível em seus rostos tensos, suas vozes trêmulas e seus membros inquietos. Mas o trabalho, a dedicação e o talento de cada um sobressaiu-se a estes detalhes menores. Os agradecimentos com lágrimas nos olhos e o aplauso de pé da platéia - repleta de amigos e entes queridos, mas também de estranhos que não tinham porque aplaudir a menos que gostassem do que viram - não deixaram ficar na memória qualquer pequena falha.

As expectativas foram superadas e o resultado ficou realmente muito bom, estes novos atores - e os que já tinham alguma experiência também - estão de parabéns. Que não se esqueçam que uma boa impressão só se mantém com muito trabalho, muito estudo e uma incansável fome de fazer melhor a cada espetáculo.


Não deixem de assistir:


"Um analista no divã"
De 20 de setembro a 12 de outubro
Teatro Hebraica (João Telles, 508)
Sábados 21h - Domingos 20h

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

O Esquete


Certo dia estava escrevendo uma sinopse de espetáculo e qual não é a minha surpresa quando o editor de texto sublinhou a expressão "As esquetes propostas..." com uma irritante linha verde. Ao abrir as opções de substituição nova surpresa! A sugestão proposta era "Os esquetes apresentados...". Indignada recorri ao bom e velho amigo dicionário e o que encontro lá?

"esquete: s.m. pequena cena cômica em teatro, rádio ou televisão."

Sim, aquelas duas pequenas letras após os dois pontos eram o balde de água fria que falatava para me trazer à realidade. Acostumada ao meio teatral desde os sete anos de idade descobri que todas As esquetes que encenei em minha vida estavam me enganando! Eram todas masculinas, como todos os dicionários que consultei me fizeram compreender...

Hoje travo uma luta solitária contra estas torpes criaturas que insistem em nos ludibriar, passando-se por seres femininos! Uma luta muito difícil, devo confessar, os órgão da imprensa não se cansam de corrigir meu suposto erro de português e substituem meus artigos masculinos pela concordância no gênero oposto. Só me resta alertar os colegas de arte e profissão para que não sejam também enganados por eles... Os esquetes são homens, não caiam em suas artimanhas, ajude a desmascará-los!!!

Aproveito para convidálos para o espetáculo teatral que ocasionou tal descoberta:


Um Analista no Divã

De 20 de setembro a 12 de outubro
Sábados as 21h e domingos às 20h
Teatro Hebraica
Rua João Telles, 508
Ingressos no local a R$20,00
ou antecipados comigo a R$12,00